Universidade do Estado de Minas Gerais – Escola Guignard
JULIANA DE CASTRO DIAS SILVA
UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA MUSEU/ESCOLA
Exposição Fotográfica “O Brasil de Marc Ferrez”
Belo Horizonte
2008
JULIANA DE CASTRO DIAS SILVA
UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA MUSEU/ESCOLA
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA – “O BRASIL DE MARC FERREZ”
Projeto de monografia apresentado ao Curso de Pós-Graduação lato sensu da Escola Guignard - Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Ensino e Pesquisa no Campo da Arte e da Cultura.
Belo Horizonte
2008
JULIANA DE CASTRO DIAS SILVA
UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA MUSEU/ESCOLA
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA – “O BRASIL DE MARC FERREZ”
Esta monografia foi julgada para obtenção do título de pós-graduação lato Sensu da Escola Guignard - Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG.
Avaliação do Prof. Orientador:
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Conceito de Metodologia Científica:
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Conceito Geral:
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Belo Horizonte, 15 de fevereiro de 2008.
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Prof. Dra. Elisa Campos
Orientadora do projeto
Dedicatória
Dedico este trabalho a todos os educadores e ao meu pai.
Vivia no silêncio porque não me comunicava. É esse o verdadeiro silêncio? (...) O silêncio tem, pois, um sentido exclusivamente meu, o de ser a ausência de comunicação. Em outras palavras: nunca vivi no silêncio completo. Tinha meus barulhos pessoais, inexplicáveis para quem escuta. “Tenho minha imaginação, e ela tem seus barulhos em imagens”.
Emmanuelle Labortt
Agradecimentos
Em todas as etapas de sua realização, pude contar com a participação do professor de História da Escola Theodor Herzl, Elias Henrique Rodrigues e alunos da 7ª e 9ª séries, da professora de História da Escola Dom Pedro II, Júnia Gaia, alunos da 8ª série, todos os funcionários do IMS, a cidade de Belo Horizonte, Virgínia Cândida, Afrânio Ornelas, João Basílio, Renata Domenicci, Gustavo Mazzilli, Octacílio Dias, Tatiana Caldeira, João Marcelo Dias, do educador e coordenador de arte-educação do Instituto Moreira Salles, Carlos Barmak, com a dedicação incansável da minha orientadora, artista plástica, pesquisadora e professora Elisa Campos e também do incentivo desde o início da pós-graduação à arte-educadora Sônia Assis, da Guignard UEMG.
Sumário
Introdução.........................................................................................................8
Capítulo1- O Instituto Moreira Salles...........................................................10
Capítulo 2- A Exposição, Marc Ferrez e sua obra fotográfica....................13
Capítulo 3- Proposta pedagógica desenvolvida............................................16
Planejamento das atividades com as escolas e etapas de trabalho
Capítulo 4- Análise das Atividades
4.1- Educação em Museus ............................................................................. 25
4.2- Curadoria e educação...............................................................................29
4.3- Linhas de atuação e integração Museu / Escola...................................30
4.4- A Escola Particular no Museu..................................................................32
4.5- A Escola Pública no Museu.......................................................................32
4.6- Desafios e Perspectivas para o desenvolvimento de um projeto educativo em instituição cultural.................................................................................................................34
5- Referências Bibliográficas.............................................................................35
A- Anexos
A1- Planejamento geral do trabalho nas escolas
A2- Carta entregue aos pais
A3- Experiência 1 – Escola Particular Theodor Herzl
A4- Experiência 2 – Escola Estadual Dom Pedro II
A5- Cartões Postais dos alunos da 8ª série da Escola Estadual Dom Pedro II
A6- Bilhetes dos alunos da 8ª série da Escola Estadual Dom Pedro II
A7- Retorno do professor Elias Henrique Rodrigues por e-mail
A8- Retorno do professor Júnia Gaia por e-mail
Foto documentação
Fotografias- Escola Particular Theodor Herzl
Fotografias- Escola Estadual Dom Pedro II
INTRODUÇÃO
Foi a oportunidade de receber em BH a exposição do fotógrafo Marc Ferrez que tornou possível a realização desse projeto de pesquisa que tem como foco a ação educativa em museus.
A proposta educativa para a exposição fotográfica “O Brasil de Marc Ferrez”, do Instituto Moreira Salles (IMS), nasceu da observação do trabalho educativo lá desenvolvido, na interação museu-escola, e da constatação de que o instituto, - localizado no centro de BH e portanto com grande facilidade de acesso - ser apesar disso, muito pouco visitado pelo grande público.
A experiência com as atividades educativas do Instituto Moreira Salles tem mostrado que as escolas, em visitas ao museu, muitas vezes carecem de um projeto mais consistente que garanta a qualidade da vivência dos alunos na exposição, além da possibilidade de usufruir de continuidade e ampliação desse projeto na escola. Pensamos na possibilidade de aprimorar essa vivência levando a arte às escolas com uma proposta pedagógica de interação museu e escola, com acompanhamento. Pretendeu-se pensar o espaço do museu como um lugar para todos, democratizado, fazendo da visita algo significativo para o aluno, um lugar de aprendizagem e experimentação.
O projeto foi delineado, então, como um trabalho em etapas, com encontros nas escolas e atividades no percurso escola/museu e no museu e envolveu duas escolas da cidade de Belo Horizonte. Da escola particular Theodor Herzl, foram convidados os alunos da 7ª e da 9ª séries; na escola pública Dom Pedro II, foram os alunos da 8ª série os convidados para participarem do projeto.
A proposta manteve a objetividade da avaliação distinguindo o que era o trabalho educativo no IMS e o que estávamos propondo, e contou com a participação de estagiários em licenciatura, além de outros educadores interessados e envolvidos com a problematização do ensino no museu e seus desdobramentos. A partir de uma experiência processual, construída em etapas, possibilitando uma vivência mais completa aos alunos, que não ficasse limitada às poucas horas de visita à exposição, buscando proporcionar um olhar reflexivo e crítico do que estava sendo vivenciado.
Trabalhar com uma exposição de fotografias como essa mostrou ser uma oportunidade rica para desenvolvermos muitas questões, tanto teóricas quanto práticas. A fotografia simboliza o acesso de amplas camadas da sociedade à informação e, conseqüentemente, a uma maior participação política e social. Define-se e redefine-se vinculada ao contexto histórico da época vivida que a origina. Portanto, possibilita aos alunos conhecerem as fontes de informações pesquisadas pelo fotógrafo, assim como todo o referencial, seja ele político, social, econômico e os recursos de equipamentos e técnicas oferecidos naquela época, o que, na prática, são questões que se apresentam como rico arcabouço teórico a ser aproveitado pelo educador em suas atividades junto aos grupos atendidos no museu.
O IMS é considerado um importante centro cultural e também museu, pois preserva o mais importante acervo sobre fotografia do século XIX ao início do século XX no Brasil - e apresentar um programa educativo bastante consistente, abrangendo muitas ações: atendimento a professores; atividades com escolas; ateliês de criação; palestras, etc. que tentam maximizar a função educativa de seus acervos e atividades.
Inicialmente o trabalho foi pensado para ser realizado com uma única escola - a escola particular Theodor Herzl, a qual já havia manifestado interesse em levar seus alunos nessa exposição. Para tornar a análise mais completa e significativa foi importante ampliar a experiência, realizando o mesmo trabalho com uma escola pública para uma análise mais realista sobre a condição social e cultural brasileira, buscando atuar junto a um grupo menos favorecido que representa a grande maioria de nossa população. Uma maioria sempre sujeita a falta de oportunidades, num ciclo que perpetua a diferença.
A escolha das escolas baseou-se em interesses e estratégias comuns encontrados nas propostas educativas das escolas juntamente com o museu.
O projeto desenvolveu-se em etapas bem definidas, sendo um dia de encontro na escola, uma atividade no percurso entre museu e escola, a visita propriamente dita e, por fim, um novo encontro na escola. Dessa forma, esperava-se que os alunos pudessem, a partir da vivência, desenvolver sua capacidade de articulação de conhecimento, criação e de argumentação crítica.
Para refletirmos sobre a atual proposta pedagógica em qualquer museu na contemporaneidade é preciso que, nós educadores, tenhamos condições de reavaliar nossas concepções, situar nossos interesses e direcionar nossas propostas de ensino para um lugar de construção de conhecimento. Dessa forma, o projeto pretendeu estruturar novas abordagens e proporcionar aos alunos-visitantes condições para que eles pudessem – através de relações de diálogo, troca de conhecimentos, trabalho prático e experimental com a arte – ampliando a capacidade de argumentação aos limites estabelecidos pela sociedade, ultrapassando estereótipos, construindo elementos essenciais de transformação da realidade urbana e social, abrindo-se para uma existência intelectual, afetiva e criativa.
Para a realização dessa pesquisa de cunho experimental, que compreende, além de uma análise prática, uma investigação crítica envolvendo as instituições museu e escola, é fundamental a parceria entre os educadores e a Instituição. Esta parceria, além de ter sido extremamente importante para garantir a objetividade da pesquisa, causou uma profunda satisfação pela riqueza de experiências proporcionada.
CAPÍTULO 1 – O INSTITUTO MOREIRA SALLES
O Instituto Moreira Salles é um dos maiores colecionadores privados do Brasil em diversas áreas artísticas e culturais, em que predominam a fotografia, a música, a literatura e as artes plásticas.
Embora tenha um expressivo acervo de obras de arte entre pinturas, gravuras, fotografias e outros, o Instituto é algumas vezes considerado por seus diretores mais como um centro cultural do que um museu propriamente dito.
Entretanto, com o tempo e a ampliação da coleção com obras bastante significativas da cultura brasileira e estrangeira, a instituição foi se estruturando nessa área específica, aproximando-se mais da configuração de um museu, colecionando, preservando e divulgando seu acervo.
O Instituto Moreira Salles foi criado em 1990 como entidade civil sem fins lucrativos. O primeiro centro cultural foi aberto ao público em 1992, em Poços de Caldas, e possui hoje um acervo de obras de arte e coleção de fotografias e uma biblioteca com obras de literatura geral e infantil.
Em 1995, o IMS adquiriu sua primeira coleção de fotografias brasileiras do século XIX e início do século XX, compreendendo um total superior a 2.500 imagens em distintos processos, suportes e formatos. Cerca de 140 fotógrafos e casas fotográficas estão nela representados, entre eles, os mais importantes mestres pioneiros da fotografia brasileira, como Marc Ferrez, Juan Gutierrez, Georges Leuzinger, A. Frisch, Franz Keller, Augusto Stahl, Militão Augusto de Azevedo, Augusto César de Malta Campos, Augusto Riedel e Felipe Augusto Fidanza.
Anos depois, foi adquirido o mais importante conjunto de fotografias brasileiras do século XIX, de valor inestimável para nossa memória histórica e iconográfica: a coleção Gilberto Ferrez, do colecionador e neto de Marc Ferrez, com cerca de 15 mil imagens do próprio autor e de outros grandes mestres pioneiros da fotografia no Brasil.
Hoje, o IMS é o maior colecionador brasileiro de fotografias do século XIX e início do século XX, com um acervo formado por cerca de 180 mil imagens, documentos e objetos fotográficos.
O IMS possui duas reservas técnicas localizadas na cidade do Rio de Janeiro onde funciona o maior dos seus centros culturais. Lá o acervo é mantido com todas as determinações e equipamentos necessários para sua conservação.
Outros centros culturais estão localizados nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Em todos eles, o IMS oferece oportunidades para aprendizagem e entretenimento.
A preocupação com a educação é uma de suas funções centrais. Acreditamos, entretanto, que as atividades educativas desenvolvidas pela instituição podem ser ampliadas, aprimorando sua atuação com a criação de uma política cultural interna de educação.
Recentemente, o IMS tem se mobilizado nesse sentido, tendo contratado um especialista em educação em museus, o artista plástico e arte-educador Carlos Barmak[1]. Responsável pela criação, implementação e avaliação da política e do plano de trabalho educativo no museu do IMS, Barmak criou um programa que prevê a reflexão sobre a função educativa da instituição; adotando o conceito de educação para todos, sua proposta abrange a criação de articulações com outras instituições como o que já ocorre com escolas. Conta com o apoio dos educadores de cada um dos centros culturais, utilizando como norteadores ideológicos e metodológicos as importantes contribuições de Fernando Hernández[2] e Paulo Freire[3], entre outros, fundamentando que o educador tem autonomia para que ele próprio também elabore suas próprias propostas educativas sempre a partir dos repertórios e demandas apontados pelo público com o qual trabalha.
O IMS de Belo Horizonte é uma instituição bastante complexa e, muitas vezes, deficitária. Pode ser um local de informação, o centro de uma rede de comunicação, não importa o nome que se dê. A cultura através da instituição não é um luxo, mas uma necessidade, uma maneira de aprender, comunicar e ser, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos.
Distancia-se, portanto, o tempo em que uma coleção era constituída para o prestígio de um príncipe ou de uma cidade, para deleite de um número reduzido de pessoas, e aproxima-se uma época, onde o museu, inserido em uma política cultural de educação, torna-se o ponto de encontro privilegiado do patrimônio e da sociedade, ao mesmo tempo em que é uma janela para o mundo, reflexo de um meio social, cultural e humano.
Todos os IMS mantêm um trabalho impecável e respeitoso no que tange o contato com artistas e público nos diversos eventos, publicações e exposições. Contudo falta, ao menos ao IMS de Belo Horizonte, humanizar-se, conscientizar todos os profissionais da instituição de que devem atuar de forma integrada e coerente com o caráter educativo da instituição. É preciso tornar o centro cultural um espaço mais vivo onde exista de fato um cotidiano cultural comprometido com a qualidade do serviço que desenvolve e com a comunidade a quem atende.
CAPÍTULO 2 – A EXPOSIÇÃO, MARC FERREZ E SUA OBRA FOTOGRÁFICA: “O BRASIL DE MARC FERREZ".
” O Brasil de Marc Ferrez” é uma exposição que, em Belo Horizonte, reuniu cerca de 100 reproduções, dentre elas algumas plotagens em grandes dimensões de imagens produzidas pelo fotógrafo carioca, embora, de origem francesa. Já exibida nos espaços culturais do IMS no Rio de Janeiro, Poços de Caldas, Porto Alegre e São Paulo, a mostra também foi apresentada no museu Carnavalet, em Paris, dentro da programação oficial do Ano do Brasil na França, em 2005.
A coleção com a obra completa de Ferrez foi adquirida pelo Instituto Moreira Salles em 1998. Dentre as mais de 5.500 imagens diferentes do autor, 4.000 negativos originais são em vidro.
Ferrez realizou um amplo registro fotográfico tanto arquitetônico como do espaço urbano do Rio de Janeiro desde meados da década de 1860, quando iniciou suas atividades. Produziu panoramas da cidade em negativos de grande formato, culminando com o projeto de documentação da Avenida Central, no início do século XX. Registrou em especial o que o Rio de Janeiro tem como característica mais marcante e singular: a paisagem natural que emoldura a cidade.
Fotógrafo da Marinha Imperial e da Comissão Geográfica e Geológica do Império, especializou-se na produção de vistas e paisagens, tanto urbanas quanto da natureza, tendo percorrido o Brasil a serviço de diversas instituições. Dessa forma, além das imagens da então capital do país, Ferrez registrou a construção das principais estradas de ferro brasileiras e retratou diversas atividades econômicas, como as fazendas de café e de cana-de-açúcar de São Paulo entre outros importantes registros.
Graças ao seu domínio da luz e à precisão na escolha do ponto de vista, o artista soube sempre ressaltar a qualidade estética das cenas registradas. Em diversas imagens, o elemento humano participa de maneira discreta, porém significativa, conferindo escala aos cenários naturais e urbanos e, principalmente, convidando o observador a percorrer a imagem em todas as suas dimensões. O reconhecimento artístico de Ferrez, considerado o maior fotógrafo brasileiro do século XIX, deve-se, portanto, à excepcional qualidade formal e documental de seu trabalho, que recebeu um projeto expositivo de grande porte com circulação nacional e internacional, de forma a consolidar sua inegável importância no cenário da fotografia brasileira e mundial.
Acompanhando a mostra, uma publicação especial editada pelo Instituto Moreira Salles traz mais de 160 imagens além de textos de especialistas do Brasil e da França que investigam diferentes aspectos do legado do fotógrafo.
A reserva técnica de fotografia do IMS é coordenada por Sérgio Burgi[4], que orientou a escolha, preparação e montagem de todo o material da exposição. As exposições circularam pelas outras unidades do Instituto no Brasil com o acompanhamento técnico de Burgi, incluindo também o trabalho de Carlos Barmak como coordenador da ação educativa, a fim de garantir uma orientação básica e a qualidade desse serviço.
Segundo Burgi e Kohi[5], Marc Ferrez foi influenciado por outros fotógrafos do seu tempo, como Revert Henry Klumb[6], Augusto Stahl, Jean Victor Frond[7] e Georges Leuzinger por fotografarem a arquitetura e as paisagens. Ferrez foi o responsável pela divulgação do Brasil no exterior através de suas fotografias. Fotografias que testemunhavam as profundas mudanças que se processavam no Brasil Império foram apresentadas por Ferrez na IV Exposição Universal de Paris, em 1867, entre elas, imagens da guerra do Paraguai contra o Brasil em 1865-1870. Sua produção documenta experiências científicas, assim como as construções de ferrovias, estudos geológicos, geográficos, arqueológicos, etnológicos e antropológicos.
De acordo com Burgi e Kohi (2005), a marca “Photographia Brazileira” que aparece em suas ampliações fotográficas era dos fotógrafos Klumb e Robin. Ferrez provavelmente trabalhou nesse estúdio, pois o equipamento fotográfico, na época, era de difícil acesso. Por isso, deduz-se que ele, naquele tempo, usava um carimbo como assinatura. Ferrez trabalhou também na casa de Leuzinger como editor, gravador e encadernador (1840). Logo depois, tornou-se fotógrafo da Marinha Imperial e das Construções Navais do Rio de Janeiro.
Em 1867, Ferrez inaugura o estudio “Marc Ferrez” & Cia” momento em que adquire plena autonomia sobre a sua produção.
CAPÍTULO 3 – PROPOSTA PEDAGÓGICA DESENVOLVIDA
Planejamento das atividades com as escolas e etapas de trabalho:
A proposta pedagógica planejada para estudar a relação entre escola e museu, aproveitando a rica oportunidade proporcionada pela Exposição “O Brasil de Marc Ferrez”, foi desenvolvida, como comentado anteriormente, junto a duas instituições de ensino e organizada em etapas bem definidas.
Faremos aqui o relato de cada experiência evidenciando, em cada caso, as atividades propostas, e a avaliação crítica tanto do processo como dos resultados obtidos.
Primeira experiência - Escola Theodor Herzl
Depois de realizado um contato prévio com professores e direção da escola e contando com sua aprovação para a realização do projeto, apresentamos o seguinte cronograma de atividades:
Data
Atividades com os alunos
07/05/07
Apresentação do projeto à Coordenação
16/05/07
Apresentação do projeto aos alunos
24/05/07
Exibição do filme “Nascidos em Bordéis” e reflexão crítica
29/05/07
Trabalho prático com os alunos: realização de fotos na Av. Afonso Pena
Visita à exposição fotográfica “O Brasil de Marc Ferrez”, no IMS
Atividade prática com reproduções de obras de arte
Prática de fotografia na volta à escola por iniciativa dos alunos
05/06/07
Retorno do professor da escola sobre as atividades realizadas
O primeiro encontro planejado iniciou-se com o reconhecimento da turma. Sugerimos que cada aluno apresentasse o colega, atividade que nos surpreendeu positivamente pelo envolvimento de cada um e pelo clima amistoso que proporcionou. Em seguida, passamos à projeção do filme “Nascidos em bordéis”. Tal apresentação pretendia prepará-los para a atividade seguinte, quando foram desafiados a fotografar o trajeto entre a escola e o IMS. A intenção era que eles desenvolvessem um olhar questionador e crítico do mundo à sua volta, o que parece ter sido conquistado a partir do filme, dada a interessante discussão ocorrida entre os alunos, após a projeção. Comentaram sobre as oportunidades que uma criança tem na Índia e as oportunidades que eles têm aqui no Brasil com relação à família e à perspectiva para um futuro melhor. Com esse filme os alunos receberam a nova atividade de fotografar o centro da cidade de Belo Horizonte com mais curiosidade. As fotografias foram da arquitetura, do povo e deles fotografando. Nesse contato com os alunos da escola Theodor Herzl, chamou atenção a organização da escola e o nível de disciplina no qual os alunos estão inseridos. Eles comportaram-se de forma exemplar, comunicavam-se através do português e do seu dialeto Idish. Como muitos deles têm o privilégio de viajar para o exterior, principalmente Europa, possuem conhecimentos bastante amplos em relação a museus. O incentivo da família permite a eles o contato com culturas que os alunos da rede pública, na sua maioria, só podem conhecer por meio de mídias impressas, televisão ou internet.
No Instituto houve uma breve apresentação sobre a fotografia e sobre a exposição. Em seguida, foi realizada uma atividade de associação de imagens com o trabalho de Marc Ferrez a partir de cartões com reproduções de obras de vários artistas, que utilizaram diferentes técnicas entre a fotografia, a pintura, o desenho, a escultura, ao longo da História: Debret, Eckhout, Friederich, Frans Post, Nicolas Taunay, Rugendas, Georges Leuzinger, Revert H. Kumb, Augusto Stahl, Portinari, Anselm Kiefer, Gal Oppido, Arnaldo Pappalardo, Cláudio Edinger, Cris Bierrenbach, Cristiano Mascaro, Geraldo de Barros, German Lorca, Paulo D’Alessandro, Rômulo Fialdini, Jaques Faing, Rubens Mano e Thomaz Farkas. Foi solicitado a cada aluno que escolhesse uma obra e justificasse a sua escolha. Os cartões que eles escolheram, as indagações eram de associação com a profissão que cada um queria seguir, de lembranças, de associação com a exposição, com o filme que viram e da modernidade em algumas figuras, relacionando a obra de um fotógrafo do passado com a de um fotógrafo atual. Com a visita ao Instituto Moreira Salles, o comportamento dos alunos se tornou diferente. Eles se sentiram mais à vontade longe das rígidas normas escolares. Participaram ativamente de todas as propostas, graças à boa desenvoltura que têm diante desses locais e da facilidade que têm em expressar suas idéias.
No final, houve mais interesse em fotografar no retorno à escola. Ao atravessarmos a Av.Afonso Pena nos deparamos com um show de artistas anônimos na Praça Sete e isso chamou a atenção dos alunos que manifestaram a vontade de fotografar e participar do que a cidade oferecia a eles naquele momento. Uma iniciativa deles de absorver ao máximo tudo - e com outros olhos - o que percebiam ao seu redor.
Todas as atividades aconteceram sem dificuldade, pois levar os alunos a museus cujos conteúdos se relacionam a alguma disciplina já é uma rotina da escola. Além disso, as próprias famílias também têm o costume de freqüentar exposições.
Essa experiência fez com que questionássemos o que queríamos realmente com o projeto. A partir daí, refletimos sobre o papel social do IMS com mais consistência. Pensar sobre como devemos atuar diante da nossa realidade que atende sempre mais os privilegiados e mantém as classes menos favorecidas numa mesma situação de falta de acesso e exclusão. Então, tomamos a decisão de realizar a mesma experiência com uma escola pública, que apresentasse uma realidade distinta da observada na escola Theodor Herzl. Fizemos contato com a Escola D. Pedro II, de forma a empreendermos uma experiência com uma situação mais freqüente na nossa realidade brasileira, além de possibilitar traçar um paralelo entre uma escola particular e uma pública, compreendendo melhor a realidade de cada uma.
Segunda experiência - Escola Estadual Dom Pedro II
Na escola pública o encaminhamento pedagógico contou com algumas alterações pensadas a partir da mudança do perfil de público, de forma a adequar melhor nossa proposta de acordo com o próprio processo.
Data
Atividades
18/06/07
Apresentação do projeto à Coordenação
25/06/07
Apresentação do projeto aos alunos
Exibição do filme “A janela da alma” e reflexão crítica
26/06/07
Aula expositiva sobre a história da fotografia
Prática de fotografia no Parque Municipal
Visita à exposição fotográfica “O Brasil de Marc Ferrez”, no IMS
Atividade de criação de cartões postais e relatório
10/07/07
Segunda prática de fotografia no Parque Municipal
14/07/07
Retorno do professor da escola sobre as atividades realizadas.
O filme exibido foi “Janela da Alma”[8], porque retrata pessoas que não se limitam por terem um problema visual. O debate posterior ao filme foi bom pois demonstraram na discussão que refletir sobre nossas variadas limitações faz com que valorizemos mais nossas qualidades e potenciais, uma questão que influiu na atividade seguinte em que iriam fotografar O filme os fez perceber que as dificuldades não são empecilho para se realizar alguma coisa.
O trajeto da escola D. Pedro II até o IMS incluiu uma passagem pelo Parque Municipal e por uma parte da Av. Afonso Pena. O fato de não termos uma câmera fotográfica para cada aluno fez com que alguns se dispersassem, mas, mesmo assim, o trabalho foi realizado com tempo determinado para cada aluno tirar fotos. No IMS, realizamos a atividade de apresentação sobre a fotografia e sobre a exposição. Após a visita pela mostra, propusemos que desenhassem um cartão postal para endereçá-lo a um amigo ou à família. Não houve tempo suficiente para completar o trabalho em um único dia, por isso marcamos um novo encontro no Parque.
"Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção." (FREIRE: 1996, p. 22)
Freire atribui aos educadores a missão de levar aos alunos outros meios para o entendimento e para se chegar ao conhecimento. O que vale é a curiosidade pela busca de informação, como na experiência de fotografar antes de ver a exposição, colocando os alunos como investigadores do tema a ser abordado. A proposta pedagógica desenvolvida nesse projeto procurou ampliar essas possibilidades de transmissão de conhecimento por diversificados meios tais como: o filme (que não é sobre a exposição, mas que remete à fotografia e ao olhar); as atividades práticas de fotografar na rua e no parque da cidade; a associação de imagens impressas de outros artistas da História da Arte, com a vida pessoal de cada um e a exposição; a criação de cartões postais, fazendo um paralelo com a prática de fotografar e as fotografias panorâmicas do Marc Ferrez; assim como, um pequeno relato sobre as atividades que vivenciaram, que resultou em relatos conscientes e valiosos, uma vez que, os alunos perceberam-se como serem ativos nas atividades e não meros receptores de informações.
Todos esses meios revelaram-se bastante produtivos para um melhor aprendizado e transformação do conhecimento.
A elaboração do planejamento das atividades nasceu a partir da nossa insatisfação quanto ao preparo didático de algumas escolas antes de visitarem uma exposição e da dificuldade de darem continuidade no retorno à sala de aula. Ao colocarmos a favor do projeto essa inquietação desenvolvemos uma carta de apresentação e um cronograma das atividades para a direção das escolas.
Como foi dito anteriormente, o planejamento das atividades com as escolas incluiu três encontros. No primeiro, houve uma aula expositiva sobre o projeto, acentuando-se a importância da participação na atividade e atitude dos alunos para que o projeto fosse concretizado. O segundo encontro consistiu em exibir e discutir um filme. O objetivo era refletir sobre a fotografia, o lugar onde se vive, o valor das coisas e a história contada, preparando-os para um novo olhar, mais reflexivo e crítico, para a atividade seguinte. O terceiro e último encontro aconteceu em quatro etapas: a caminhada da escola ao Instituto, a visitação à exposição, uma atividade prática no museu, e a volta à escola. A caminhada da escola até o IMS foi para perceberem a cidade ao seu redor e fotografar o que os interessasse. No Instituto, atividades pedagógicas foram embasadas no que propôs o coordenador de educação, Carlos Barmak,aproveitando os recursos educativos (de experiência prática e vivência) específicos no museu. Em sua vinda a Belo Horizonte, Barmak trouxe os diários dos estagiários que trabalharam na exposição em São Paulo, material que ajudou muito na preparação dos educadores em BH. Os diários continham anotações, desenhos e a releitura de impressões dos visitantes. O interessante também é que os estagiários tinham formações diversas: artistas, filósofos, educadores, estudante de geografia, história, entre outros, o que, segundo Barmak, proporcionava uma visão plural, com vários modos de se observar a mesma obra. O foco que cada um colocava, em função de sua história de vida e formação acadêmica, foi agregando valores diante das imagens da exposição de Marc Ferrez. O material das atividades, cedido ao Instituto de Belo Horizonte, foi de grande valor para o desenvolvimento do projeto.
O momento de ver a exposição “O Brasil de Marc Ferrez” e explanar sobre a história do fotógrafo ocorreu de um modo descontraído. A utilização de lupas no decorrer da visita permitiu que se mostrasse a imagem invertida, da mesma maneira que as máquinas analógicas e a câmera escura produzem uma imagem.
A atividade prática no Instituto foi baseada também nas atividades desenvolvidas pelo Barmak em outras unidades do IMS.
A volta para a escola também envolveu prática de fotografia.
Como referência pesquisamos também as categorias da metodologia “Thought Watching”[9]. Após a experiência realizada, e todas as leituras feitas à respeito da metodologia utilizada, confirmou-se que o planejamento cumprido, tinha muito da proposta que foi desenvolvida por Ott. Assim, todas as etapas descritas por Robert Ott tinham correspondência com as etapas desenvolvidas no projeto que são:
(Aquecimento/Sensibilização), quando o indivíduo deve predispor-se à performance da apreciação, preparando seu potencial de percepção e de fruição em uma atmosfera favorável à criação. Exemplo disso são os filmes e o diálogo reflexivo e a atividade de fotografar.
“Descrevendo” é o momento em que a percepção é priorizada e a enumeração do que está sendo visto é efetuada. A visita à exposição e as atividades no IMS.
“Analisando” enfoca e desenvolve os aspectos conceituais da leitura da obra de arte utilizando, para a análise formal da obra percebida, conceitos da Crítica e da Estética. A atividade com os cartões e na etapa da revelação e na discussão proporcionada por ela, percebendo as diferenças e semelhanças entre tipos de representação, em técnicas variadas e em épocas variadas. “Analisando” é um momento de pesquisa, de busca de outros recursos para se compreender aquilo que se viu. É o momento de trazer o conhecimento adicional, disponível no campo da História da Arte, a respeito da obra e do artista que estão sendo objeto de conhecimento. A intenção é de ampliação do conhecimento e não de convencimento do aluno a respeito do valor da obra de arte.
“Interpretando” é o momento das respostas pessoais à obra de arte objeto da apreciação, quando as pessoas expressam suas sensações, emoções e idéias a partir do contato com a materialidade da obra, seu vocabulário, gramática e sintaxe.
“Revelando” é o momento onde o aluno tem a oportunidade de revelar, através do fazer artístico, o ato de criação. Ou seja, como criar cartões associando ao processo de construção de conhecimento que por ele foi vivenciado.
O desafio é tão, somente, preparar os alunos para a atividade de uma forma prazerosa e descontraída e com um embasamento teórico-prático para o trabalho de fotografia antes da visita à exposição. Dada a relevância do trabalho de campo (experiência da fotografia) foi elaborado um roteiro para servir como auxílio para a visita à exposição.
Era preciso levar os alunos a se apropriarem do conhecimento e perceberem a exposição de forma diferente da clássica transmissão de um instrutor. O objetivo foi aguçar o lado investigador, curioso, criativo e crítico do aluno. O desejo de proximidade com o fotógrafo Marc Ferrez, aquele que fez fotos das cidades, das construções pelo Brasil, foi tomado como referência para fazê-los perceber a cidade de Belo Horizonte. Para isso foi necessário que eles vivenciassem o ato de fotografar lugares pelos quais já passaram, mas que por costume ou rotina não davam a devida atenção.
Uma das dificuldades que tivemos com as experiências foi o número insuficiente de câmeras fotográficas para os alunos da escola pública. Isso reduziu o tempo para cada aluno fotografar, forçando-os a observar com menos calma o que iria ser registrado pela câmera. Ao mesmo tempo, essa restrição atuou a favor do projeto na medida em que ampliou o desafio para esses alunos.
O acompanhamento final nas escolas era uma etapa de trabalho prevista e considerada de grande importância no projeto. Entretanto não foi possível colocá-la em prática devido à agenda das escolas. O fato de terminarmos o trabalho no mês de férias dificultou uma finalização mais apurada com a nossa presença.
O que fica nesse projeto é a oportunidade que deve ser prioritária por parte das instituições culturais, de oferecer um trabalho diferenciado às escolas públicas conscientizando-as de que podem usufruir do museu de forma prazerosa para construir o conhecimento.
É interessante observar que, na experiência educativa ao museu, o lugar favorece a atuação do aluno, que possui mais liberdade para a busca do conhecimento, de tal forma que o trabalho segue essa mesma proposta de educação em museus, de forma a promover um melhor aproveitamento das atividades, oferecendo uma receptividade na instituição e conhecimento ao estudante, de modo que escola e museu tenham uma interação e efetuem um acompanhamento no decorrer das atividades. Uma instituição pode complementar e enriquecer o trabalho da outra, com um método de interação, respeitando e garantindo qualidade para o aproveitamento dos alunos e com cada instituição se responsabilizando por atuações específicas.
Os resultados visíveis nas fotos e nos trabalhos desenvolvidos pelos alunos em atividades no museu mostram o processo e sua importância diante dos objetivos propostos
Não é possível negar as diferenças entre as duas escolas que participaram do projeto, mas também devemos lembrar que cada uma possui limitações e busca constantemente superar seus desafios. Claro que, numa escola pública, isto se torna uma luta mais cruel, e os resultados foram mais expressivos justamente por essa condição.
Para uma grande maioria de pessoas, as escolas públicas e particulares representam mundos inteiramente distintos. Mas, percebemos que na realidade, esses lados superficialmente antagônicos, são na verdade, dois lados de uma mesma moeda, ou seja, formam um conjunto que interagem de forma dinâmica com os mais diversos contextos sócio-culturais, criando e sustentando o processo educativo.
CAPÍTULO 4 – Análise das Atividades
4.1 - Educação em Museus
Em linhas gerais, podemos entender o processo de musealização como todo processo que envolve o trabalho com a cultura material, desde a coleta/aquisição, documentação, pesquisa, elaboração dos conceitos, da proposta curatorial e do projeto e processo expositivo, culminando com a construção formal (design expositivo) oferecida ao público (em forma de exposição) para decodificação e fruição.
Alguns trabalhos que um museu pode oferecer são: cursos, seminários, prestação de serviço à comunidade, atendimento ao público, publicações em CD-ROMs, visita virtual, educação para a terceira idade, transporte gratuito para escolas públicas, ateliês gratuitos, oficinas de criatividade a vários tipos de profissionais de empresas, projetos especiais na área da saúde e educação especial, cursos de artes plásticas, formação para professores, acervo on-line, venda de livros e objetos de arte, etc.
“... a arte tem substancial significado social, tanto quanto individual: o museu de arte do futuro será provavelmente um organismo interativo”. (BARBOSA, 1997 p. 111-139)
Um exemplo disso foi o trabalho desenvolvido no Inhotim Centro de Arte Contemporânea, localizado na cidade de Brumadinho, Minas Gerais, perto de Belo Horizonte. A arte tem um papel fundamental para a interação da comunidade e o museu. Esse foi um projeto proposto pelo alemão Benedikt Wiertz, ceramista e atual coordenador de extensão da Guignard UEMG, que, juntamente com a artista plástica e arte-educadora Elisa Campos realizaram, entre 2005 e 2006, a implantação de um projeto educativo em Inhotim. “Tal projeto previa a formação de educadores e estagiários para o atendimento de público, a produção de material de pesquisa sobre o acervo - base para o desenvolvimento de material didático para professores -, capacitação de professores das redes públicas de ensino e um Laboratório de Criação com alunos das escolas públicas de Brumadinho. No caso desse Laboratório, previa-se também que os alunos selecionados, a partir da experiência em Inhotim, teriam uma formação que posteriormente lhes daria a chance de se candidatar a trabalhar também como estagiários no atendimento ao público, na instituição. O resultado desse trabalho continua rendendo benefícios para a instituição que hoje conta com um corpo de educadores e estagiários com formação adequada para a recepção de público, além dos chamados monitores de área, muitos deles selecionados por sua participação no Laboratório. Os projetos com as escolas públicas tem se intensificado realizando propostas processuais com grupos específicos de alunos, a partir de projetos que os professores desenvolvem integrando escola e museu.”[10]
Vários trabalhos foram realizados na formação dos estagiários e educadores, como: estudos sobre história da arte e sobre os artistas que fazem parte do acervo de Inhotim com o desenvolvimento de textos referenciais, discussões sobre metodologias de arte-educação em museus – práticas e teóricas, desenvolvimento de instrumentos de avaliação (a serem aplicados junto aos professores e aos visitantes espontâneos) e discussões periódicas para avaliação crítica sobre o trabalho realizado. Trabalhos como esses mostram o quanto o museu precisa instruir os seus educadores e direcionar profissionais na liderança com uma formação mais adequada.
“É maravilhoso inserir a comunidade dentro de um museu, mas é melhor ainda quando o museu descobre a comunidade que a rodeia, buscando aproveitar e aliar os repertórios particulares de cada grupo ou indivíduo à experiência proporcionada pelo contato com a obra de arte. Deseja-se assim beneficiar a percepção e construir conhecimento nessa vivência. Isso é mais precioso que qualquer conteúdo teórico ou informativo que se possa oferecer e baseia-se numa relação de comunicação humanista e sensível”. Elisa Campos, Relato sobre Inhotim- Brumadinho, MG. 2006Renata isto preciso colocar como nota de rodapé? Ou é só do nome Elisa até MG?
Museu não é escola!
No Brasil, as pessoas que freqüentam museus geralmente são descritas como “eruditas”, ou seja, pessoas com uma cultura acima da média, capazes de entender e apreciar toda e qualquer montagem em exibição. Este é um conceito que vem sendo demolido com o passar dos anos, mas ainda há muito que se trabalhar para demonstrar que um museu, além de ser um local para exposições de obras de arte e antiguidades, é também um espaço para elaboração de discussões sobre o papel de cada indivíduo dentro de uma sociedade que pretende aprimorar-se no contexto educacional e cultural.
O museu é fundamental no momento em que passa a fazer parte de um conjunto de instituições que, com suas respectivas contribuições e especificidades, oferecem ao indivíduo e à comunidade como um todo, a possibilidade de construir sua própria identidade cultural.
Se a escola é um espaço de aprendizagem, o que é um museu? Não é lá que encontramos grande parte de nossa história, com todos os detalhes do que fomos, do que somos e do que podemos ser? Um dos melhores exemplos disso é o Museu da Língua Portuguesa, localizado no prédio da antiga estação da Luz, em São Paulo. Numa exposição permanente, pode-se mergulhar na grande diversidade da língua portuguesa, com sua história, curiosidades e beleza, de um modo que não pode ser demonstrado no quadro negro de uma sala de aula. Cada um, seja educador ou aluno, precisa acreditar que no momento em que aprende sobre sua cultura e também de outros povos, passa a fazer parte de um todo, de um mundo que a cada dia diminui as distâncias entre os povos. Mas é sobretudo experimentando essa cultura e podendo recriar a partir dela que realmente poderemos lhe atribuir importância! A cultura não pode se limitar a um aprendizado, devendo abrir-se à vivência concreta. O contato direto com um objeto de arte, uma ferramenta ou um documento histórico fazem grande diferença na experiência de qualquer indivíduo.
Na exposição de fotografias de Marc Ferrez no IMS, os alunos aprenderam não apenas os conceitos técnicos e o cuidado que as fotos necessitam. Trabalhou-se, a partir disso, a possibilidade das gerações futuras compartilharem dessas imagens e, na sua época, exercitarem um novo olhar sobre o momento retratado, pois jamais conseguiremos recuperar os sentimentos e segredos das épocas passadas.
Sendo o museu um local de aprendizagem diferente da escola, ele precisa buscar estratégias para melhor interagir com seu público, principalmente aquele formado por jovens alunos. É desde cedo que os jovens devem experimentar oportunidades de aperfeiçoar e aplicar seus conhecimentos.
Não se pode esquecer que existem diferenças significativas entre escolas públicas e particulares. Mas não podemos afirmar que os alunos destas escolas sejam diferentes apenas pela sua condição social. As diferenças existem na metodologia, na prática, nas relações professor-aluno, aluno-aluno. Qualquer pessoa, seja rica, pobre, negra, índia ou branca, pode e deve se inteirar sobre seus direitos e deveres como indivíduo e cidadão. Mas não basta que as escolas tenham ótimos professores e possuam uma infra-estrutura moderna: elas precisam valorizar os alunos, e eles, com certeza, irão retribuir este apoio.
Uma atividade de leitura de imagem em um processo educacional não deve se ater à aplicação de modelos prontos. Penso que devemos escolher e criar os caminhos (metodológicos) levando em consideração a pertinência em relação a cada obra ou conjunto de obras e, sobretudo, em relação ao público, visando ampliar neste diálogo a construção viva e significativa de conhecimento em arte e pela arte.
É necessário enfatizar a inquietação que nós educadoras tivemos desde o início da elaboração desse projeto. Consideramos que o museu deve atuar junto à formação dos professores com recursos didáticos que tornem o trabalho mais fundamentado, de modo que uma visita a uma exposição não seja um simples passeio. Com isso, independentemente da escola em que o professor trabalhe, a visita poderá ser vivida com mais intensidade, com recursos didáticos que possibilitarão um aprendizado mais amplo aos alunos e com a garantia de continuidade que somente o professor, em sala de aula, pode proporcionar.
4.2- Curadoria e Educação
“O termo ‘educação’ é ele próprio impreciso: as crianças não adquirem necessariamente uma ‘educação’ na escola, e o mesmo acontece infelizmente a um considerável número de estudantes da universidade. O que é então a ‘educação’ senão um desenvolvimento gradual e afetivo, uma curiosidade de espírito e uma tolerância cada vez maior, um desejo insaciável de enriquecer os seus conhecimentos? Ou o museu é todo inteiro ‘educativo’ ou não o é... Por conseqüência, se um museu se descarta da sua missão educativa num ‘serviço educativo’ está a renunciar à sua principal vocação que é a de utilizar as suas coleções e as suas exposições para mudar o comportamento do ser humano, aumentar a sua sensibilidade, afinar a sua visão” (Hudson, 1999: 63).
As duas instituições, tanto a escola quanto o museu, vão muito além da transmissão de conhecimento com formas de socialização. É a comunhão das duas vivências que possibilita a continuidade do conhecimento.
Os serviços educativos nos museus fazem um trabalho continuado na recepção de visitas escolares, mas, às vezes, toda a dedicação à visita revela-se inútil, já que a escola não dá continuidade ao que foi visto. Gera-se assim uma desvalorização do museu e dos profissionais da área.
No projeto tivemos total autonomia de atuação cedida por Barmak e pela Coordenadora do Instituto Moreira Salles de Belo Horizonte.
Nas unidades do IMS, a equipe de educadores foi inteiramente orientada pelo coordenador geral, Carlos Barmak, à cada exposição. Todo o material didático, teórico e experiências por ele vivido e trazidas de outras exposições, lhe assegurou uma autonomia visível em cada equipe de cada unidade.
No entanto, a coordenação de Belo Horizonte não facilita o trabalho da área de arte-educação seja no que se refere à compra de material didático, no acesso à internet ou no estudo sobre a exposição dentro do Instituto. Os educadores são submetidos às orientações do responsável geral que impede a autonomia necessária para o desenvolvimento de propostas próprias e adequadas ao público de BH, dificultando um melhor aproveitamento das escolas. A curadoria do museu poderia envolver-se mais nos trabalhos propostos nos museus oferecendo a infra-estrutura adequada para o aprimoramento da área.
4.3 - Linhas de atuação e integração Museu / Escola
A integração museu-escola é uma questão que vem tomando cada vez mais espaço nas discussões sobre apropriação, preservação e valorização do patrimônio histórico-cultural, atingindo tanto profissionais da área museológica, como professores e instâncias governamentais. Um trabalho de união destas instituições pode levar a um esclarecimento quanto às finalidades e especificidades de cada um e à possibilidade do uso de um recurso que propõe, como um de seus instrumentos, a cooperação mútua.
Apenas ilustrar o conteúdo trabalhado em sala de aula com uma ida ao museu não resulta em nada diferente da utilização do livro didático ou da aula expositiva. É importante estabelecer-se uma sintonia entre a prática em sala de aula e a atividade, que passa pela escolha do museu e da exposição a ser vista. Deve existir um preparo da visita por parte do (a) professor(a) e do museu para que haja um efetivo envolvimento do aluno com o tema proposto. Os textos, figuras, filmes e outras atividades podem contribuir no exercício de ler o mundo a partir de um ponto de vista crítico, individual e coletivo, ao mesmo tempo em que proporciona a construção de identidade e de valores.
Após a visita, também é de vital importância realizar uma avaliação, aplicando-se um questionário ou outros instrumentos de averiguação junto aos professores e alunos. Desta forma é possível saber o quanto eles se envolveram, na integração e no conhecimento, assim como as dificuldades e a satisfação dos objetivos.
A escola tem um papel importante na maneira de estimular o aluno a ver o mundo, por isso é fundamental aos alunos verem que as diferenças são possibilidades de enriquecimento em qualquer experiência e não inferioridades ou superioridades. Nas suas respectivas linhas de atuação tanto o museu como a escola possibilitam a troca interpessoal e a mútua transmissão de conhecimentos. Sabe-se também que a educação vai além das instituições – a busca do conhecimento se propaga nas ruas, na casa e na sociedade.
O Museu Lasar Segall realizou, em 1992, a exposição “Três Exercícios de Leitura”, utilizando, na própria sintaxe expositiva, as etapas de leitura propostas por Robert Ott e comentadas anteriormente, no capítulo 3.
Como já foi abordado, ele desenvolveu um método de abordagem que estrutura o contato dos indivíduos com as obras de arte ao mesmo tempo em que garante a qualidade do processo de leitura das mesmas. Foi assim que, a partir de estudos de autores como John Dewey, Thomas Munro e Edmund Feldman e a partir de experimentos realizados (com os alunos da Penn State, com os alunos de outras universidades de diversas localidades e com alunos do ensino fundamental e médio), Ott sistematizou o Image Watching.
4.4 - A Escola Particular no Museu
Escola Particular como instituição tem características comuns, tais como: a exigência de uma melhor formação dos professores, sendo priorizados para contratação professores que já tenham obtido títulos de especialização, mestrado ou mesmo doutorado; o planejamento, normalmente realizado de um ano para outro, prevendo todos os passeios e visitas, em sintonia com o programa didático das disciplinas e projetos e acesso a um material didático rico contando com tecnologia de primeira linha.
A escola particular poderia atuar no museu como um intercâmbio de correspondências com alunos de outras escolas para verem uma exposição juntos e desenvolverem um trabalho de criação e interação junto ao museu. A partir da escolha de uma exposição trocariam cartas entre as escolas sobre o que poderiam pesquisar, antes de visitarem a exposição.
Quais seriam as curiosidades dos alunos: as técnicas da obra, os filmes da época, as pessoas que influenciaram tal artista, qual a origem do artista, quais as atividades que poderão fazer que lembre as pesquisas, quais atividades deverão fazer de criação junto a outras escolas no museu, entre outros. Assim, conclui-se que a escola particular pode contribuir, em muito, com a responsabilidade social.
4.5 - A Escola Pública no Museu
“A educação intercultural requer que se trate nas instituições educativas os grupos populares. Mas que se reconheça seu papel ativo na elaboração, escolha e atuação das estratégias educativas. Além disso, é preciso repensar as funções, os conteúdos e os métodos da escola, de modo a se superar o seu caráter monocultural” (FLEURI, 1999).
Monocultural é considerada, segundo Fleuri, a escola elitista e o trabalho de reestruturar as escolas populares é colocada como multicultural, uma escola para todos, que luta pela igualdade e pelo reconhecimento das diferenças, contra preconceitos e discriminação. Uma escola que aceite a diversidade cultural e que interpreta a igualdade de oportunidades não só de acesso à escola, mas também de sucesso.
No Brasil, a educação progrediu imensamente na nossa história. Mas há muito ainda por fazer para que escolas, professores e alunos possam atingir a qualidade necessária. Nossa educação não deve se igualar a nada, mas tornar-se algo que contribua para as necessidades de nosso povo, com a riqueza cultural que lhe é própria.
Na rede pública de ensino, boas partes das escolas funcionam precariamente: salas de aula destruídas, largadas pelo tempo, quadros caindo, paredes sujas e pichadas, portas e janelas que não fecham. A própria arquitetura da escola tende a comprometer a concentração dos alunos durante as aulas. Há professores desmotivados e com descaso para com seus alunos. Tudo isso constitui um quadro lastimável, que deve ser combatido fervorosamente.
No dia em que visitamos a Escola Municipal Dom Pedro II, percebemos o desrespeito dos alunos e funcionários com relação ao patrimônio que, em última instância, faz parte da cidade de Belo Horizonte. Cabe não só ao Governo, mas principalmente à coordenação da escola direcionar e colocar os alunos como responsáveis pela escola, tratando-a com respeito e carinho. É necessária uma reestruturação no modo como são trabalhados conceitos e valores na escola pública.
Independentemente de classe social, (todos têm os seus problemas), acredito que o trabalho de valorização e aceitação da escola começa com a movimentação interna da direção da Instituição. Outro problema que vale citar é o apoio quase que ausente da família na educação.
Segundo uma professora da escola: “Como a escola vai ser reformada, acharia melhor que não tivesse esse bando de alunos pichando as suas dependências”. Pensando nesses alunos e como eles poderiam ser tratados pelos professores dessa escola, um dos caminhos seria valorizar o indivíduo como ser humano, aguçar o que ele tem de melhor e fazer dele um cidadão que saiba lutar pelos seus direitos sem se colocar como vítima. A partir de um sentimento de pertencimento é possível fazer com que o indivíduo se sinta responsável pela preservação da sua própria vida e de sua escola. É preciso esclarecer que cada escola, tanto a particular quanto a pública, tem sua realidade específica e deve ser tratada de maneira também específica.
No momento que os alunos da escola Dom Pedro II foram ao Instituto Moreira Salles, pôde-se perceber a enorme curiosidade e interesse deles em relação às fotografias e às atividades propostas. Os alunos se envolveram com o projeto, pois a maioria percebeu que, bem perto de onde eles estudam, existe um local “desconhecido”, rico em possibilidades e até então inexplorado.
Quando é proporcionado um ambiente onde o aluno é respeitado e valorizado, ocorre um envolvimento e desenvolvimento que servem como estímulo para se propor outros meios de aprendizado. Afinal, o processo de transmissão de conhecimento não se restringe à sala de aula e nem a uma tela de computador.
4.6 - Desafios e Perspectivas para o desenvolvimento de um projeto educativo em instituição cultural
A formação continuada de professores possibilita que eles conduzam os alunos em novas formas de construção de conhecimentos, como relatado por alguns professores. As avaliações enviadas por e-mail pelos professores fez acreditar que o projeto chegou no resultado que pretendia com as escolas trabalhadas.
O professor Elias Henrique Rodrigues continuou a atividade na escola analisando as fotografias dos alunos de forma técnica, crítica e reflexiva. Os alunos despertaram para um novo olhar para a cidade e para as pessoas.
A professora Júnia Gaia, da escola Dom Pedro II, relatou que os alunos se sentiram mais valorizados e perceberam a importância de um museu para o aprendizado.
Em outra atividade ela levou os alunos às cidades históricas de São João Del Rei e Tiradentes e lá percebeu que eles valorizaram e respeitaram mais o Patrimônio Histórico. Um aluno ajudava o outro a fotografar, uma atitude que foi bastante valorizada no projeto realizado no IMS.
O museu recebe várias escolas e sozinho não tem condições de atender a todos no acompanhamento didático. Esse atendimento é impossível também porque o museu não tem conhecimento do planejamento que cada escola desenvolve ao longo do ano letivo. Diante disso, é necessário que cada museu desenvolva material didático para auxiliar o trabalho do professor além de dar formação adequada a seus próprios educadores para oferecer aos visitantes de maneira geral e aos alunos de escolas um trabalho de qualidade. Caberá aos professores a responsabilidade da continuidade da visita, em sala de aula, mas será sempre bem-vindo o trabalho que o museu pode ainda oferecer num acompanhamento continuado a projetos em comum acordo com a escola. São propostas e serviços que deveriam ser, sobretudo, oferecido às escolas públicas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos. Arte-Educação: leitura no subsolo (org.) São Paulo: Cortez, 1997, pgs
Artigo Museu Lasar Segall 1992 A exposição três exercícios de leitura OTTi (incompleto)
BURGI, Sergio e KOHI, Frank Stephan. O Brasil de Marc Ferrez: A vontade panorâmica. Maria Inez Turazzi. O fotógrafo e seus contemporâneos. Edição Instituto Moreira Salles, 2005. 320 pgs.
FLEURI, Reinaldo Matias. Texto publicado em: Educação intercultural: desafios e perspectivas da identidade e pluralidade no Brasil. Inédito, 1999. pgs
FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta, ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002. pp.28-43 e 52-59. 82 pgs FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 148 pgs
Multicultura
www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=1249
Fleuri
www.mover.ufsc.br/pdfs/FLEURI_1999_EI_desafios_e_persp_Salta_1999.pdf. Ações educativas
http://museologia.incubadora.fapesp.br/portal/acervo/alunos2005/vanvan/trabalhos/acoes%20educativas%20em%20museus.doc
Museu da Língua portuguesa
http://afrobras.org.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=1173
http://www.abc.org.br/publicacoes/ba/NABCI5/index.html
http://www.crmariocovas.sp.gov.br/noticia.php?it=9186ANEXOS
A.1
Planejamento geral do trabalho nas escolas
ENCONTROS
ATIVIDADES
ESCOLA
Apresentação do projeto à Coordenação.
ESCOLA
Apresentação do projeto aos alunos.
Exibição do filme e reflexão crítica.
Campo
IMS
Aula expositiva sobre a história da fotografia.
Percurso da escola ao museu - prática fotográfica.
Visita à exposição fotográfica “O Brasil de Marc Ferrez” no IMS.
Atividade no IMS.
Retorno à escola (somente a Theodor Herzl)
Campo
Segunda prática de fotografia no Parque Municipal (somente a Escola Estadual Dom Pedro II)
ESCOLA
Discussão com um profissional da área de fotografia dos resultados obtidos e exposição na escola.
E-MAIL
Retorno dos professores da escola.
A.2- Carta entregue aos pais
Belo Horizonte, 16 de maio de 2007.
À Escola Theodor Herzl
Att: Pais de alunos
Prezados(as) Senhores(as),
Vimos através desta apresentar a V.Sas. o projeto pedagógico que iremos desenvolver junto à Escola Theodor Herzl com apoio e participação do professor de História e fotógrafo Sr. Elias Henrique e da diretora Sra. Iara Leventhal.
O projeto, intitulado “Proposta pedagógica para a exposição fotográfica O Brasil de Marc Ferrez no Instituto Moreira Salles”, pretende estabelecer vínculos entre escola e o museu, proporcionando ao aluno experiências que contribuam para o desenvolvimento da capacidade crítica e reflexiva diante da arte e da vida.
Este projeto é parte da pesquisa que nós, Juliana de Castro Dias Silva e Virgínia Cândida, desenvolvemos no Instituto Moreira Salles de Belo Horizonte, sob orientação dos artistas e educadores professora Elisa Campos e Sr. Carlos Barmak, referências nacionais em arte-educação de museus.
A pesquisa tem o objetivo de enriquecer o conteúdo das disciplinas oferecidas pela escola numa troca com o conteúdo da exposição em cartaz, desenvolvendo e aplicando a arte-educação no circuito ida e volta da visita ao IMS.
Para a concretização deste projeto, pedimos a autorização para seus filhos participarem das atividades e deslocamentos nos horários estabelecidos no cronograma em anexo.
Colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos nos telefones 9841 1908 (Virgínia) e 9714 9898 ou 2127 3133 (Juliana).
Certas da acolhida a este nosso pedido, agradecemos antecipadamente.
Belo Horizonte, de 13 junho de 2007
À Escola Estadual Dom Pedro II
Att: Pais de alunos,
Prezados(as) Senhores(as),
Vimos através desta apresentar a V.Sas. o projeto pedagógico que iremos desenvolver junto à Escola Dom Pedro II com apoio e participação da professora de História Sra. Júnia Gaia da Vice-diretora Sra. Ana Célia.
O projeto, intitulado “Proposta pedagógica para a exposição fotográfica O Brasil de Marc Ferrez no Instituto Moreira Salles”, pretende estabelecer vínculos entre escola e o museu, proporcionando ao aluno experiências que contribuam para o desenvolvimento da capacidade crítica e reflexiva diante da arte e da vida.
Este projeto é parte da pesquisa que nós, Juliana de Castro Dias Silva e Virgínia Cândida, desenvolvemos no Instituto Moreira Salles de Belo Horizonte, sob orientação dos artistas e educadores professora Elisa Campos e Sr. Carlos Barmak, referências nacionais em arte-educação de museus.
A pesquisa tem o objetivo de enriquecer o conteúdo das disciplinas oferecidas pela escola numa troca com o conteúdo da exposição em cartaz, desenvolvendo e aplicando a arte-educação no circuito ida e volta da visita ao IMS.
Para a concretização deste projeto, pedimos a autorização para seus filhos participarem das atividades e deslocamentos nos horários estabelecidos no cronograma em anexo.
Colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos nos telefones 9841 1908 (Virgínia) e 9714 9898 ou 2127 3133 (Juliana).
A este nosso pedido, agradecemos antecipadamente.
A.3 EXPERIÊNCIA - ESCOLA PARTICULAR THEODOR HERZL
Movidas pela recepção calorosa que tivemos pela direção da escola, no dia 07 de maio de 2007, fizemos nosso primeiro encontro na escola Theodor Herzl, contando com o apoio do professor de História Elias Henrique Rodrigues e da diretora Iara Leventhal.
Conversamos sobre a proposta pedagógica que usaríamos; discutimos sobre o melhor tipo de dinâmica a ser usada para conhecê-los, como filmes e discussões;quais os tipos de atividades práticas poderíamos aproveitar, sugerindo a fotografia como experiência mais apropriada; como seria tratado o trajeto da visita à exposição no IMS; sugestões de textos e abordagem sobre o tema da exposição e suas possibilidades teórico-práticas. Assim, juntos organizamos o cronograma e o adequamos à programação da escola.
O primeiro encontro na Escola Theodor Herzl foi realmente motivador. Introduzimos o trabalho a partir de uma dinâmica em que, num círculo, cada um apresentou um colega. A faixa etária desse grupo era de 12 a 13 anos. O perfil sócio-cultural desses alunos é de uma condição privilegiada. Foi bem interessante observar o comportamento deles porque apesar de quase todos já terem estudado juntos anteriormente e terem uma intimidade notória, todos foram gentis e usaram palavras de cortesia e respeito ao colega.
São alunos que tiveram a oportunidade de viajar pelo mundo, gostam de tecnologia e literatura, possuem um interesse enorme por animais exóticos, praticam pólo, vôlei e pingue-pongue, são vaidosos, alegres e saudáveis e adoram aprender outras línguas. Seus pais valorizam muito a cultura e são participativos no processo educativo. A língua que eles falam no dia-a-dia é uma mistura de português com o dialeto judaico Idish. Eles misturam as duas línguas, começando uma frase em português e terminando com uma palavra em Idish, língua em que não são fluentes como o português. São soltos, divertidos e dão valor ao estudo.
Convidamos os alunos para participarem do projeto. No mesmo dia, 16 de maio, no turno matutino, dedicamo-nos a observar a realidade em que vivem, com perguntas sobre o que gostam de ler, para onde costumam viajar e o grau de informação sobre o mundo das artes. Também esclarecemos nossos objetivos e distribuímos a carta-convite para que levassem aos pais.
No segundo encontro iniciamos o trabalho com a exibição do filme "Nascidos em Bordéis", dirigido por Ross Kauffman e Zana Briski. Documentário da Índia ganhador do Oscar, “mostra a vida das crianças do bairro da Luz Vermelha, em Calcutá. O aparente enriquecimento da Índia perpetua a marginalidade dos menos favorecidos que, nesse contexto, são as crianças, filhas de prostitutas do bairro mais pobre da cidade. Os documentaristas Zana Briski e Ross Kauffman procuram essas crianças e, munidos de câmeras fotográficas, pedem para eles fazerem retratos de tudo que lhes chama a atenção”.[11]
Logo depois, propusemos um debate entre os alunos com a finalidade de prepará-los para a atividade prática de fotografia. Uma forma bem-sucedida de reflexão foi a comparação da sua própria realidade com aquela das crianças do filme, desenvolvendo-se uma maneira de entender e respeitar as diferenças. Eles apontaram aspectos como o dia-a-dia daquelas crianças que convivem com a pobreza, a falta de higiene e a prostituição. Observaram que os pais daquelas crianças não as ajudavam a sair da prostituição e nem as deixavam aproveitar as oportunidades que a vida lhes colocava. Falou-se sobre a importância do apoio da família na vida da criança e sobre a força de um menino que vai embora da cidade sozinho para divulgar o seu trabalho, pois o pai era viciado em crack e a mãe vivia com o menino. Eles questionaram a falta de apoio dos pais a essas crianças da Índia, porque era uma oportunidade de viajar e levar o trabalho de fotografia. As condições de vida eram de miséria, sujeira, falta de objetivo, fazendo com que refletissem sobre suas vidas e até agradecessem por tudo que têm.
No dia 28 de maio de 2007, foi feita a visita à exposição de Marc Ferrez. Os alunos foram orientados sobre a visita ao museu e como deveriam se comportar em toda a atividade no centro da cidade. O roteiro foi assim estabelecido: saída da escola Theodor Herzl a pé até a Av. Afonso Pena; ônibus coletivo até o Parque Municipal; daí em diante a pé até o Instituto Moreira Salles.
A maioria dos alunos nunca tinha andado a pé nas ruas do centro. O pânico em ir ao centro e serem assaltados era unânime. Orientamos para que ficassem sempre juntos e atentos e passamos segurança para que eles pudessem fazer a atividade de fotografar o centro com mais tranqüilidade. Assim, eles logo aderiram à idéia de observar à sua volta. O fato de cada um ter sua própria câmera facilitou bastante o trabalho, permitindo maior liberdade no ato de registrar as imagens. Um olhar único sobre a cidade de cada aluno foi registrado. A proposta ocorreu tendo como referência o filme: “Nascidos em Bordéis”, a fim de que tivessem uma experiência próxima àquela das crianças retratadas, fotografando a paisagem em movimento dentro do ônibus, como elas também fizeram. Outra referência foi história do fotógrafo Marc Ferrez, que no seu tempo fotografava a arquitetura e as paisagens do Brasil.
A chegada ao Parque aconteceu com os alunos animadíssimos, e as fotos da cidade começaram ali. Nós os fotografávamos tirando fotos e os deixávamos livres para que pudessem perceber o seu próprio olhar pela cidade. Sem definir o que é belo, escolhiam o que os atraíam, mostrando-se felizes e eufóricos com essa experiência.
Durante a visita à exposição também registramos tudo. Foi feita uma explanação inicial sobre as diferenças entre os vários espaços culturais da cidade, como museus, centros culturais e galerias, além de informá-los sobre as normas do IMS. Com todos bem à vontade, deitados no chão, contamos resumidamente a história de Marc Ferrez, discorrendo também sobre as técnicas de fotografia para que eles pudessem questionar e descobrir mais durante a exposição.
Acompanharam toda a exposição com lupa. Segundo Barmak, essa é uma das melhores formas de se observar uma exposição, deixando o aluno perceber as coisas antes de impor uma leitura aprofundada e detalhada da exposição. Em seguida, apresentamos várias reproduções em cartões de obras de outros artistas, em desenho, em pintura, em fotografia. É um material educativo do IMS desenvolvido por Carlos Barmak com reproduções de obras de diferentes épocas da História da Arte passíveis de se relacionar com o trabalho de Marc Ferrez. Os alunos fizeram associações da imagem ou imagens escolhidas com a exposição, justificando o porquê da afinidade com a obra, ou seja, o porquê da escolha. O diálogo foi muito rico, apontando afinidade com a imagem e com as possibilidades de projeção para o futuro pessoal de cada aluno, como a profissão desejada, o que eram como pessoas e as lembranças da vida.
O retorno foi feito de ônibus. Antes, porém, vimos um espetáculo de um artista anônimo na famosa “Praça Sete”, um momento importante que despertou o interesse de apreciar, vivenciar e mais vontade de fotografar o que a cidade oferecia de forma inesperada e entusiasmada. No espetáculo na praça sete, a volta dentro do ônibus em movimento foram acontecimentos que marcaram profundamente o que havíamos proposto. Os alunos por si só buscaram um novo olhar pela cidade, o que nos colocou mais confiantes quanto ao que queríamos com o projeto.
No final do trabalho com a 1ª escola, havia uma angústia instalada em relação ao fato de termos desenvolvido um projeto com um público de elite, com um perfil privilegiado, que não representa de forma alguma a realidade dominante. Isso foi um momento muito importante do trabalho. O reconhecimento de que uma experiência como essa realmente contribui numa turma que já tem todas as oportunidades deixou claro que é preciso beneficiar públicos menos privilegiados, justamente para dar oportunidade de vivências aos que normalmente não a teriam. Assim, reforçou-se a noção de importância de um trabalho desses em um espaço que deve receber públicos variados, sempre atendendo a grupos mais carentes de forma adequada, responsável e criativa.
A4 - EXPERIÊNCIA – ESCOLA ESTADUAL DOM PEDRO II
Foi com grande entusiasmo que o projeto foi recebido pela vice-diretora Ana Célia, na escola Dom Pedro II. Na tarde do dia 13 de junho de 2007, levamos todo o material e propusemos a experiência com os alunos da 8ª série. A professora de História, Júnia Gaia, também recebeu o projeto com interesse e, no mesmo dia, organizamos um cronograma para 31 alunos entre 14 e 15 anos.
Como a turma era dispersa, as conversas paralelas eram muitas, além da dificuldade em manter a disciplina. Houve interferências dos funcionários da escola, que entravam na sala sem pedir licença, sem a menor cerimônia, além de alunos de outras salas, o que nos obrigou a alterar o andamento da apresentação. Optamos pela auto-apresentação dos alunos.
Naturalmente, o histórico desses alunos é muito diferente em relação ao da outra escola. Como a convivência não é tão longa e contínua entre eles, torna-se difícil o respeito pelo colega e a capacidade de escutar enquanto o outro fala. O comportamento predominante revela uma situação social muito desfavorecida, onde a auto-estima inexiste e a consciência sobre a importância do estudo e da escola não está presente, a não ser por uma relação de autoridade disciplinadora e castradora. Os alunos dessa escola não têm culpa sobre seu comportamento... Existe toda uma conjuntura que os leva a reagir dessa forma. Tanto as famílias como a escola e, em última instância, a municipalidade e a comunidade, têm responsabilidade nisso e devem assumir a tarefa de transformar tal realidade.
Na escola Dom Pedro II, exibimos o filme "Janela da Alma”. O filme apresenta entrevistas com dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, que traçam comentários muito expressivos sobre suas diferentes maneiras de observar o mundo. Com a finalidade de despertar nos alunos um olhar mais apurado, procuramos sensibilizá-los para exercitarem suas próprias observações, preparando o grupo para a atividade seguinte, em que fotografariam o percurso da escola até o IMS.
No segundo encontro, 26 de junho de 2007, à tarde, conversamos sobre o filme. Eles comentaram que as personalidades entrevistadas do filme, mesmo com limitações, estavam fazendo e produzindo algo. Após essa conversa saímos a pé em direção à exposição.
Como na primeira experiência, orientamos para que os alunos, nesse trajeto que passaria também pelo Parque Municipal, fossem realizando fotos e registros do percurso até a chegada ao IMS. Para que todos tivessem oportunidade de fotografar, separamos os 18 alunos em dois grupos com tempo máximo de 10 minutos, para tirar três fotos digitais. Cada aluno teve total liberdade em escolher o que iria fotografar. Aconteceu que alguns usaram o celular e um influenciava o outro a fotografar o que achava bonito, o que dificultou um pouco o que objetivava o trabalho, que era justamente a percepção do olhar de cada um, diante da contemplação. Ou seja, a percepção do mesmo lugar de maneiras única e diversa.
Todos estavam ansiosos para chegar a sua vez e a pressão do tempo fez com que alguns desistissem de fotografar. Foi aí que decidimos convidá-los para uma nova tarde no Parque. O tempo para fotografar aumentou e o número de máquinas, dessa segunda vez no Parque Municipal eles interagiram com a natureza e ficaram fotografando em grupo.
No IMS, os alunos da Escola Estadual Dom Pedro II comportaram-se muito bem. Dois monitores fizeram a explanação sobre Marc Ferrez e em seguida deixamos o grupo à vontade para ver a exposição. A atividade no museu foi desenhar no cartão postal, endereçar para alguém e escrever a experiência em uma folha à parte, onde avaliariam todo o trabalho desenvolvido. No registro escrito eles relataram o quanto foi gratificante participar do projeto.
O final desse projeto seria o nosso retorno às escolas junto com um fotógrafo para mostrar as fotos e falar mais sobre fotografia e os resultados obtidos. Infelizmente, isso não foi feito devido às férias e a agenda das escolas.
A5 Cartões Postais dos alunos da 8ª série da Escola Estadual Dom PedroII
A6Bilhetes dos alunos da 8ª série da Escola Estadual Dom Pedro II
A7. Retorno do professor Elias Henrique Rodrigues por e-mail
Escola Theodor Herzl
Monografia Guignard Caixa de entrada
Elias Henrique Rodrigues
Juliana,
Espero que atenda aos seus objetivos.
Um abraço!
Elias
Os alunos da Escola Theodor Herzl participaram de uma atividade proposta por monitoras do Instituto Moreira Sales, tendo como ponto de partida a História e a Fotografia.
Inicialmente, tivemos uma atividade na escola mesmo com a projeção do filme Nascidos em Bordéis. Logo após pudemos discutir a realidade do filme e analisar a importância do projeto proposto no filme de se trabalhar com crianças em situação de risco social propondo alternativas que pudessem minimizar o impacto daquela realidade tão sofrida de crianças vivendo naquela situação de miséria e degradação. Os alunos não deixaram de sensibilizar com a dureza de imagens tão duras. Fizeram, ainda, uma comparação com a realidade de crianças do Brasil, vivendo situação semelhante.
Um segundo momento, foi a visita monitorada a Exposição Marc Ferrez. Antes ainda, os alunos fizeram um pequeno trajeto de ônibus regular para observar a cidade e fotografar o que se percebia de lugares que apesar de conhecidos nossos, foram visto com olhares diferentes daqueles do cotidiano. Nessa tarefa, puderam fotografar aspectos da cidade e sua gente. Foi bastante rico esse percurso. Na exposição, puderam discutir a experiência do trajeto percorrido e ressaltar o que foi mais significativo para cada um. Logo após, visitaram efetivamente a exposição, observando e aprendendo com todo o arsenal de Marc Ferrez em seu trabalho fotográfico
Logo após, pudemos voltar a escola e aguardar outro dia para analisarmos as fotografias de cada um em seu trajeto até o Instituto Moreira Salles.
Tivemos fotografias ótimas e outras nem tanto, mas que geraram uma discussão interessante a respeito do ofício de fotografar e registrar a cidade com um olhar novo diante de algo que sempre se apresentou aos alunos como uma situação corriqueira: observar a cidade e seus habitantes.
Foi sem dúvida uma experiência muito rica para todos os participantes.
Elias Henrique
Professor de História da Escola Theodor Herzl
A8 Retorno da professora Júnia Gaia por e-mail
Escola Dom Pedro II
Cara Juliana, Devo parabenizá-la pelo sucesso do projeto e da exposição, em outubro de 2007. Os alunos da turma 432, da 8ª série da Escola Estadual Pedro II, que participaram do seu trabalho de pesquisa, tirando fotos no Parque Municipal e visitando a Exposição de fotografias de Marc Ferrez, no IMS, reagiram com interesse e descobriram muitas coisas importantes sobre fotos e fotógrafos e tipos de máquinas, usadas antigamente. Sentiram-se felizes e valorizados, por perceberem quão é importante uma visita a museus. Espero que realmente a participação de meus alunos tenha tornado possível a conclusão de sua monografia. Percebo que eles passaram a valorizar mais os museus, pois estive com eles em novembro/2007, em São João Del Rei e Tiradentes para estudarmos mais sobre nossa história e o comportamento deles foi de valorização do patrimônio histórico e respeito aos bens públicos, e um ensinava ao outro a melhor forma ou o melhor ângulo para fotografar, fruto não só do meu trabalho enquanto professora de história, mas de seu trabalho, desde o momento em que os incentivou a fotografar o Parque Municipal até quando chegaram à exposição de MARC FERREZ e a aula que tiveram dentro do museu sobre fotografia. Fazer os "cartões" deixou-os bastante felizes. Agradeço em nome deles o seu trabalho e espero poder ajudá-la mais vezes, quando oportuno. Atenciosamente, JÚNIA GAIA SANTANA Professora de História/ jan/2008
Date: Sat, 19 Jan 2008 14:59:00 -0200From: juliana_dias@ig.com.brTo: juniagaia@hotmail.comSubject: Resultados na Esc.DPedroII
[1] Artista, músico e coordenador de educação nos IMS até final de 2007 - Instituto Moreira Salles. Como coordenador, desenvolveu um trabalho de orientação pedagógica em cada troca de exposição nas unidades do IMS, levando sugestões para desenvolver com escolas. Trabalhou também como coordenador do setor de artes no Museu de Arte Moderna (MAM) em São Paulo sendo, sem dúvida alguma, um referencial nacional no que diz respeito a uma nova experiência de arte-educação e de trabalho junto a professores e monitores em museus.
[2] Educador espanhol, Doutor em Psicologia e professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. Há vinte anos dedica-se a lutar pela inserção dos projetos de trabalho na escola.
Fonte:www.centroefeducacional.com.br/fehernan.htm
[3] Paulo Regules Neves Freire (1921-1997)” foi um grande educador brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado Pedagogia Crítica”. Fonte: www.pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire
[4] Sérgio Burgi é coordenador da área de fotografia do Instituto Moreira Salles e membro do Comitê de Conservação do Conselho Internacional de Museus – Grupo de Materiais Fotográficos. É Mestre em Conservação de Materiais Fotográficos pelo Instituto de Tecnologia de Rochester, em Nova York (EUA). Foi presidente da Associação Brasileira de Conservadores-restauradores de Bens Culturais (1990-1991). Tem diversos artigos e textos técnicos na área de conservação fotográfica.
[5] Frank Stephan Kohi é pesquisador associado do IMS. Mestre em Antropologia Contemporânea e História Social pela Universidade de Marburg, na Alemanha. É autor de “Der Anfang der Pressefotografie in Deutschland" (2005, edição Instituto Moreira Salles).
[6] Alemão radicado na cidade de Petrópolis (RJ). Desenvolveu fotografias estereoscópicas, que são ”pares de fotografias retratando uma mesma cena que, vistos simultaneamente num visor bionocular apropriado, produzem a ilusão da tridimensionalidade”
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3865
[7] Fotografo francês, autor do primeiro livro de fotografia realizado na América Latina, “Brésil Pittoresque”, com texto de Charles Ribeyrolles.
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=3502&cd_item=1&cd_idioma=28555
[8] Direção de João Jardim e co-direção de Walter Carvalho. Sinopse: dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. O escritor e prêmio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e a importância das emoções como elemento transformador da realidade " Fonte: www.sinopse.com.br
[9] Desenvolvida por Robert William Ott no artigo “Museu Lasar Segall 1992”.
[10] Depoimento fornecido por Elisa Campos para essa monografia.
[11] Fonte: www.sinopse.com
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